sábado, 28 de maio de 2016

Gerei meu emprego. Trabalho com paixão.

Gerei meu emprego. Trabalho com paixão.

As vezes parece que as dificuldades são intransponíveis. A gente pensa que não vai dar certo ou que não vai aguentar...daí a gente se lembra do porquê fazemos o que fazemos e isso é o que nos move a continuar. Eu queria levar alegria e reflexão à vida das pessoas e também tinha que bem criar meu filho que estava na época com quatro anos. Eu tinha vinte e nove e hoje tenho cinquenta.
Eu sempre penso sobre o começo da minha carreira de ator e de quando eu saia pelas ruas de Uberlândia catando recicláveis para poder fazer teatro. Eu catava caixas de papelão daquelas de geladeira; catava isopor, madeira, pregos da madeira para reaproveitar, pedia tinta para pintar cenário...enfim. Os conhecidos de mim e de minha família pensavam "acho que o Marcial pirou...anda catando coisas pela rua...todo despenteado e sujo...o que será que aconteceu?".
Alguns vinham assuntar comigo o porquê eu tinha saído da empresa de minha família e estava agindo assim...eu com fé e paciência explicava a eles e à minha família também que era meu sonho. Que eu queria mesmo era ser ator mas tinha desviado meu caminho. Eu queria fazer teatro ao invés de ter uma fábrica de produtos químicos. Quando eu dizia isso às pessoas eu percebia imediatamente aquele olhar de compaixão e logo depois o tapinha nas costas: "Boa sorte porque essa vida não é fácil"...mas quem disse que eu estava preocupado com facilidades? Eu abrira mão do meu "dia 5 do mês". Queimara a ponte.
Quem quer dá um jeito e quem não quer dá desculpas. E eu me ocupava era com trabalhar cegamente para conquistar, junto com meus companheiros de trabalho, uma vida digna vivendo com a arte e da arte. Custei a ter o apoio da família. Mas a senda se abriu e se mostrou favorável. Um amigo chamado Umberto sempre me dizia que a sorte favorece os bravos...e com a gente foi assim. Montamos nosso grupo de teatro na bravura. Fizemos nosso primeiro espetáculo, uma peça de Nelson Rodrigues chamada "A mulher sem pecado" e junto com isso fomos desenvolvendo peças de teatro específicas para treinamento. Uma grande empresa atacadista de Uberlândia quis nos contratar para ilustrar um evento deles. Era uma convenção de vendas. Apresentamos duas vezes uma pequena cena de comédia retratando a vida dos vendedores e dos entregadores da dita empresa. Foi um sucesso de crítica tanto do contratante quanto do público. Depois disso continuamos com estas duas vertentes do teatro que internamente chamamos de Artístico e Aplicado. Foi trabalhando desta maneira que nos tornamos Autossustentáveis. E você? Como seu grupo teatral tem sobrevivido? Eu quero pedir a você que divida com a gente a sua experiência de realizador teatral pois ela pode ajudar muitos colegas a nortearem melhor suas decisões para sofrerem menos com as situações do caminho.
Eu já comecei. Organizei este congresso o ConTeatro - Congresso Nacional de Teatro - para começar a passar tudo o que eu aprendi, fiz e fizemos nas últimas décadas vivendo exclusivamente de teatro. É preciso reconhecer o valor do que se faz. O palco do empreendedorismo criativo é nosso. Significa que temos de encontrar maneiras de o público ver, conhecer o que é produzido. Para isso é preciso abrir frentes de trabalho, frentes de mercado. As pessoas são capazes de decidir se querem algo diferente ou continuar na mesmice reclamando que na minha cidade não acontece nada...então tudo isso acaba impactando no dia a dia da gente. A gente quer fazer com que essas opções alternativas surjam para as pessoas; Significa que a gente está contribuindo para criar um desenvolvimento para este país. Esta responsabilidade é nossa: de ampliar as possibilidades de decisões das pessoas. Eu ofereço teatro como opção. Mas quem vai comprar a minha peça, o meu espetáculo?
Eu quero focar na demanda. Muitas vezes a gente percebe que um empreendedor disponibiliza alguma coisa no mercado...abre um espetáculo e ninguém vai ver...as vezes as condições são excelentes pois é perto da casa da pessoa...é barato...tem meia entrada...então: Por que não vão ao espetáculo? A GENTE tem que entender melhor do mercado criativo no Brasil.
Existem muitas razões para que as pessoas não comprem aquilo que a gente está oferecendo...devemos nos deter neste detalhe descobrir os motivos pelos quais as pessoas não vão consumir o seu produto, seu espetáculo.
1 - é por falta de tempo?
2 - esta muito caro o ingresso?
3 - Falta de transporte que leve o público até o local? que muitas vezes é na rua como no nosso caso..
4 - Falta de companhia? problemas de saúde?
5 - constrangimento ( muita gente ainda sente teatro como "a cereja do bolo")?
6 - Seu espetáculo é inteligível? Dá pra entender? Para quem você faz teatro?
7 - Como levantar e trabalhar as objeções do seu público?
A nossa missão é fazer com que as pessoas atribuam um valor maior ao que a gente está oferecendo. E porque? Porque nos temos que estar atentos ao "custo de oportunidade" (um termo da área de economia). o que é o custo de oportunidade? é aquilo de que a gente tem que abrir mão quando toma uma decisão...se eu só tenho 24 horas num dia então eu vou ter que abrir mão de alguma coisa pra fazer outra. Se eu uso meu dinheiro pra uma coisa eu não vou ter pra outras ou seja: temos que eleger as nossas prioridades.
Mas: como é que a gente aumenta nas pessoas a sensação de prioridade pra fazer aquilo que nos estamos a oferecer e não outra coisa?
Primeiro a gente tem que pensar com o chapéu delas.
quem esta pessoa com quem eu quero falar? que tipo de problemas ela deve enfrentar? Sua investigação como artista e empreendedor criativo começa assim.

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