terça-feira, 7 de junho de 2016

Juventude e Teatro

Juventude e teatro
Hoje a produção de teatro de São Paulo é maior que a de Buenos Aires e quase do tamanho da de Nova Yorque.(fonte: entrevista com Jefferson Del Rios - crítico teatral) se não for maior que a de Paris. Nós temos mais de 100 espetáculos em cartaz. Isso é um dado de caráter cultural..é um dado econômico, porque não há dinheiro pra todo mundo e não se sabe se há público para todo mundo, mas as companhias estão bravamente em cartaz mostrando seus trabalhos.
Um dado curioso: contei 81 espetáculos em cartaz em SP. dos quais 52 são de textos brasileiros (autorais e/ou criação coletiva);...o curioso, ou que se faz pensar, é que temos a produção teatral feita dentro da própria cidade e girando dentro do próprio pessoal de teatro.
É um teatro jovem feito por gente jovem e é normal que eles queiram fazer um teatro que diz respeito a sua juventude. Sem querer eu me dei conta de que estava dividindo o tempo como se o teatro jovem só fosse o teatro de agora. Dai fui fazer um pesquisa pra relembrar e me dei conta do seguinte: Teatro sempre foi feito por gente jovem.
Historicamente o teatro moderno paulista começa em 1948 com a fundação do TBC (teatro brasileiro de comédia) que deixou nomes lendários. Que idade tinha estes nomes lendários naquela época? vejamos: Cacilda Becker tinha 27 anos, Valmor Chagas tinha 30, Paulo Autram, Tonia Carreiro e Bibi Ferreira tinham 27 anos. Maria Della Costa tinha 22 anos. Leonardo Vilela tinha 24 anos.
 Depois vem o teatro oficina, fundado em 1956 e se estabeleceu onde ainda é hoje em 1958.
O José Celso e o Amir Hadad, seus fundadores, tinham 21 anos. O Renato Borghi tinha 20 anos.
Teatro de Arena em 1956 Gianfrancesco Guarniere tinha 22 anos e depois, vindo dos EUA e depois foi incorporado ao Arena veio o Augusto Boal com 25 anos. E quem eram os velhos "os coroas" da época?, aquela geração que já estava sendo superada esteticamente pelos "sucessores" que vinham chegando? ...Procópio Ferreira (50 anos). O grande Eugênio Kusnet já com 65 anos. Henriette Morineau quando estreou tinha 40 anos.
Portanto e teatro sempre foi feito por gente jovem. Nos EUA os espetáculos "off-Broadway" foi onde surgiram, como fundo de quintal, atores como : Jhon Malcovich, Dustin Hofman, All`Paccino.; Eles, como não entravam pra Brodway, começaram a fazer seus pequenos grupos fazendo teatro de garagem e se apresentando nos bairros boêmios...dai surgiram os Living Teather, o Julian Becky o  Open Teather e toda uma série de grupos que ficaram históricos.
Esta solução, digamos assim, independente de fazer teatro com o que tem começou a chamar uma espécie de público que já não queria aquele teatro, digamos, "convencional" com começo, meio e fim, musical, romântico com um psicologismo já sabido. Já no Brasil a coisa começou, mas sem copiar o que acontecia lá. Começou por geração espontânea. Começou mais ou menos na década de setenta com pessoas saídas das escolas de arte dramática e sobretudo da Unicamp, começaram a criar seus próprios grupos. No Rio de Janeiro começaram a criar o grupo "Asdrúbal trouxe o trombone" que fez um enorme sucesso e de onde surgiu Regina Casé por exemplo.
Surgiu também o grupo Tapa de Eduardo Tolentino com uma proposta de refazer a dramaturgia brasileira e internacional, clássica, de alto valor, com rigor estético, com absurda coerência de linguagem, sem cortar ou mudar textos. Hoje eles estão entre os grupos alternativos um dos mais sólidos. O restante que está trabalhando está fazendo uma luta desesperada pra sobreviver ao fato econômico e social ao qual ainda não se tem resposta agora e que é o seguinte: é muita peça, poucos lugares para poder se apresentar, aluguéis altos, dificuldades de espaço... e como atender ao desejo desta gente que quer fazer teatro e a um público que está aparentemente encolhendo?
www.teatronanet.com.brAte uns 30, 40 anos atrás o normal no Brasil era teatro de terça a domingo. O descanso da companhia era na segunda e nos sábados e domingos geralmente se fazia 2 sessões. Qualquer Fernanda Montenegro, qualquer Marília Pera fizeram isso anos e anos. Hoje etá inimaginável...segunda, terça e quarta não há...quinta em diante os grupos mais ou menos conhecidos. Outros só de sexta a domingo. e os grupos que estão começando e lutando para por a cabeça fora d'água utilizando as segundas terças e quartas para se apresentarem ou em horários alternativos tipo depois das onze.
Então há aí um problema de adequação entre sobrevivência, economia, mercado no sentido de você ter público, ter clientela. Por isso eu acho que o teatro deve fazer um grande seminário junto com a escola de economia, com a fundação Getúlio Vargas para se descobrir o que é isso...por que já estamos caminhando para a seguinte situação: a bilheteria já não paga o espetáculo. O espetáculo para entrar em cartaz já tem que ter o financiamento seja de instituições oficiais como o Proac, como o incentivo da prefeitura ou então alguma grande estatal, ou bancos...ai depende do poder de fogo da celebridade que está em cartaz. O espetáculo estreia pago, num período muito curto de agenda. Então a coisa está ficando absurda de modo que na estreia já dizemos "ultimas semanas" "últimos dias"...gera uma sensação de que estou sendo ameaçado "tem que ir" "vá senão o imposto de renda te pega"...isso dá um pouco de angústia pros atores de uma companhia. Mas ao mesmo tempo isso faz com que esfrie um pouco...não tem tempo de amadurecer o espetáculo. O amadurecimento de um espetáculo faz a gente adquirir uma expertise mas pelas condições fica difícil. Então de um lado se tem a luta pela sobrevivência, arrumar uma garagem pra ensaiar, tentar entrar nas leis de incentivo, saber se vai ter a verba do município ou do estado...Isto está criando uma subcultura meio complicada para o "resultado final".
Temos um problema: Apesar deste cenário de Broadway em Sampa com 100 espetáculos a gente encontra 4 pessoas na plateia porque eu fui assistir a um espetáculo "pago" (gratuito). Um espetáculo excelente mas com 4 pessoas na plateia...
Deu vontade de voltar na bilheteria e pagar um ingresso...mas ele já estava pago subsidiado que é...
Mas nada disso tira meu entusiasmo pela vitalidade com que esses jovens fazem teatro. Por exemplo a escolha dos temas............

as soluções são facultadas ao Estado...(será)Talvez...ele realmente é parte da solução
e quanto ao teatro talvez tenha que discutir até que ponto esta expansão (feita desta forma atual pelas leis)que não acaba mais...a de começar a fazer espetáculos só depois de ele estar pago...estas respostas eu deixo como perguntas...Plínio Marcos falava que o teatro perdeu força quando parou de viver da bilheteria e que o artista se sente maior, mais seguro, mais íntegro, mais valente quando ele sabe que o seu pagamento vem é do borderô, do caixa do espetáculo que pagou...então eu sou um otimista senão não estaria aqui com meus cabelos brancos ainda falando de teatro...falo com o mesmo entusiasmo e vendo aqui ver esta pessoa o jovem com o mesmo entusiasmo e ao mesmo tempo eu já tenho uma certa resistência ao teatro convencional que vai reproduzir aquilo que já está na televisão...aquelas comédias de sempre, não me convide pra isso: comédia de adultério, coisas "engraçadinhas"..não..eu quero saber aonde está a inquietação. eu sou ligado com inquietação deste teatro do qual estamos falando e que se faz aqui e que se forma aqui na São Paulo Escola de Teatro...isso é só um dos congressos.
Muito obrigado.

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